Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

Os Amantes de Novembro

 

 

 

 

Ruas e ruas dos amantes 
Sem um quarto para o amor 
Amantes são sempre extravagantes 
E ao frio também faz calor 

Pobres amantes escorraçados 
Dum tempo sem amor nenhum 
Coitados tão engalfinhados 
Que sendo dois parecem um 

De pé imóveis transportados 
Como uma estátua erguida num 
Jardim votado ao abandono 
De amor juncado e de outono. 

Autor: Alexandre O'Neill

 

 

publicado por Súh (My Secret) às 08:32
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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011

Despedida

 

 

 

 

Uma harpa envelhece. 
Nada se ouve ao longo dos canais e os remadores 
sonham junto às estátuas de treva. 
A tua sombra está atrás da minha sombra e dança. 
Tocas-me de tão longe, sobre a falésia, e não sei se 
foi amor. 
Certo rumor de cálices, uma súplica ao dealbar das 
ruínas, 
tudo se perdeu no solitário campo dos céus. 
Uma estrela caía. 
Esse fogo consumido queima ainda a lembrança do 
sul, a sua extrema dor anoitecida. 
Não vens jamais. 
O teu rosto é a relva mutilada dos passos em que me 
entristeço, a absoluta condenação. 
Chove quando penso que um dia as tuas rosas floriam 
no centro desta cidade. 
Não quis, à volta dos lábios, a profanação do jasmim, 
as tuas folhas de outubro. 
Ocultarei, na agonia das casas, uma pena que esvoaça, 
a nudez de quem sangra à vista das catedrais. 
O meu peito abriga as tuas sementes, e morre. 
Esta música é quase o vento. 

 

 

Autor: José Agostinho Baptista

 

 

 


 

 

 

 

 

 

publicado por Súh (My Secret) às 13:37
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011

Texto Romântico

Interessante o nosso caso!
O nosso amor parece ter encontrado a pitada certa
O tempero no ponto exacto,
Pois não é doce demais, tampouco salgado...
É algo difícil de se explicar.
É como uma rosa que teima nascer entre pedras,
Desafiando o calor intenso e a falta d'água
Mas, depois de algum tempo, as suas raízes encontraram um solo fértil
Então, numa numa noite, cresceu e se tornou uma linda rosa...
Uma rosa que é rosa à noite e é azul de dia.
Um amor que cresceu sem se importar onde ia chegar
E chegou onde está, mais seguro, mais tranquilo
mais maduro.
Um amor que une um peixinho e uma loba
Uma loba que aprendeu a amar o mar,
para poder chegar perto do seu amado!
Um peixinho que, de teimoso, ensinou uma loba a amá-lo.
Estranhos os caminhos do amor!
Maravilhosos os efeitos dentro de nós!
Desejo muito tempo para dividirmos,
Muito amor para gastar,
Muitos sorrisos e muitas gargalhadas,
Porque a vida, apesar de seus contratempos, é perfeita!

Desconheço o autor, mas editei o texto.
publicado por Súh (My Secret) às 18:35
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

Cartas de Amor

 

 

 

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor, 
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram 
Cartas de amor 
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia 
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje 
As minhas memórias 
Dessas cartas de amor 
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

 

 

Autor: Fernando Pessoa

 

 

 

 

publicado por Súh (My Secret) às 14:21
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011

O Amor

 

 

 

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

 

Autor: Fernando Pessoa

 

 

 

 

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publicado por Súh (My Secret) às 14:36
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