Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011

Despedida

 

 

 

 

Uma harpa envelhece. 
Nada se ouve ao longo dos canais e os remadores 
sonham junto às estátuas de treva. 
A tua sombra está atrás da minha sombra e dança. 
Tocas-me de tão longe, sobre a falésia, e não sei se 
foi amor. 
Certo rumor de cálices, uma súplica ao dealbar das 
ruínas, 
tudo se perdeu no solitário campo dos céus. 
Uma estrela caía. 
Esse fogo consumido queima ainda a lembrança do 
sul, a sua extrema dor anoitecida. 
Não vens jamais. 
O teu rosto é a relva mutilada dos passos em que me 
entristeço, a absoluta condenação. 
Chove quando penso que um dia as tuas rosas floriam 
no centro desta cidade. 
Não quis, à volta dos lábios, a profanação do jasmim, 
as tuas folhas de outubro. 
Ocultarei, na agonia das casas, uma pena que esvoaça, 
a nudez de quem sangra à vista das catedrais. 
O meu peito abriga as tuas sementes, e morre. 
Esta música é quase o vento. 

 

 

Autor: José Agostinho Baptista

 

 

 


 

 

 

 

 

 

publicado por Súh (My Secret) às 13:37
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7 comentários:
De poetazarolho a 17 de Agosto de 2011 às 23:38
“Syntagma”

Ficaram por lá as almas penadas
As pessoas passam apressadas
Olham, sentem-se embaraçadas
E algumas discutem intrigadas

Almas permanecem acomodadas
Nas suas tendas estão alojadas
Vêem-se as cuecas penduradas
Cartazes com palavras desgarradas

A dois passos está o parlamento
As lindas ruas chiques de Atenas
Compras, azafama, uma esplanada

Protesto arrefeceu, secou o lamento
Os turistas tiram uma foto apenas
Captam o instante da alma penada.
De poetazarolho a 19 de Agosto de 2011 às 21:02
“Discurso da flôr”

Enchi de silêncio minhas palavras
E vazei meu copo de um só trago
Vi o ar de espanto que mostravas
Por ficar no ar este discurso vago

O silêncio extraíste das palavras
Com ele construíste uma linda flôr
Muda, com a qual sempre falavas
Contigo ela comunicava pela côr

Na arte suprema da comunicação
Esta relação nunca mais cedeu
Assim pela primeira vez na vida

Rebelde, entendeu o teu coração
Repleto de côr este discurso meu
Ausência de palavras foi resolvida.
De PaperLife a 23 de Agosto de 2011 às 19:27
Obrigada pelo teu comentário ^^
É bom ter pessoas que estão sempre "actualizadas" com o que escrevo, como tu estás :D

Peço desculpa pela minha ausência aqui no teu blog, mas estou de férias e mal paro em casa :$

Adorei este poema :')
(vou pôr-me a par dos outros posts ^^ )
De Súh (My Secret) a 23 de Agosto de 2011 às 22:25
Muito obrigada minha querida, pois eu achei bastante estranha a tua ausência.

O que interessa é que estas de volta e bronzeada... aposto! :D

Beijokas e continuação de um excelente dia ^^
De PaperLife a 24 de Agosto de 2011 às 09:37
De volta eu estou, agora bronzeada é que não :$ (sou quase albina :P )
Obrigada e um bom dia para ti :D
De Súh (My Secret) a 24 de Agosto de 2011 às 10:38
A sério :O .... eu a pensar que devia de estar toda bronzeada, afinal não.

Obrigada pelo comentário.

De PaperLife a 24 de Agosto de 2011 às 11:29
Ahah, não ^^
Estou um pouco só, mas mal se nota :)

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